Sobrevivi!!! Sou maratonista Mizuno UpHill!!! (Parte II - Pré-Maratona)

DIA 30 –  O grande do dia


Levantei as 3:50! Detalhe: o despertador estava tocando há 20 minutos!!! O sono e o cansaço era muito forte, mas a vontade de cumprir a missão da Maratona era muitíssimo maior!

Pulei da cama e comecei a me “paramentar”. Em poucos minutos estava pronta pois tudo já estava separadinho.

Fui  para o café da manhã e o restaurante estava repleto de atletas uniformizados. Caras “amassadas” de sono, mas a animação tomava conta dos survivors ansiosos, afinal faltava muito pouco para começar o tão esperado desafio!


Tomei meu café da manhã como “um dia normal.” Estava junto da Yara que estava mais ansiosa que eu. Eu estava tão tranqüila que estava ficando preocupada comigo, rs. Nunca fui assim... Em provas mais semelhantes como essa eu estaria uma pilha! Nem parecia que ia correr minha 2ª maratona! E ainda uma maratona desse nível!!

Fizemos checkout e fomos todos para a largada que ficava na cidade de Treviso!  Em aproximadamente meia hora chegamos lá!

O ônibus estacionou e descemos debaixo de uma fina garoa e uma temperatura agradável (pelo menos para mim!). Muitas fotos, todos sorrindo. Uma sensação de ansiedade e felicidade tomava conta dos atletas, dos organizadores e de todos que estavam aguardando o grande momento. Embora eu estivesse tranqüila, eu tentei me distrair conversando com todos a minha volta para que a hora passasse logo. 



 
A garoa continuava. Alguns se protegiam debaixo de um posto de gasolina que ficava ao lado da largada e outros aproveitaram a capa de chuva que foi distribuída para quem quisesse.

Os minutos foram passando. Confesso que nem me aqueci... Fiquei de papo com o pessoal e mal me alonguei. Aliás, vi poucos se aquecendo e se alongando.

Faltando 5 minutos nos chamaram para nos aproximar ao pórtico de largada. Que emoção!!! Minhas mãos ficaram geladas! Só de lembrar me dá frio na barriga.

“2 minutos para a largada”, anunciavam!







7:30 em ponto e toca a “sirene” Lá se vão todos os survivors rumo ao topo da Serra.

A galera saiu num ritmo frenético para encarar o grande desafio. Os primeiros quilômetros já refletiam que a prova seria desafiadora desde os primeiros passos. Largamos numa estrada de terra cheia de lama devido à chuva! As meias e o tênis ficaram imundos logo nos primeiros metros de prova. Para mim o pior era a sensação de terra entrando dentro da minha meia. Me preocupei na hora, pois imaginava o estrago que aquilo poderia fazer ao longo dos quilômetros!


Em pouquíssimo tempo os “super suvivors” foram se distanciando de mim. Eu fui ficando cada vez mais para trás deles. Juro! Aquilo me deu um baita desespero, mas eu não podia forçar logo no começo, pois senão quebraria rapidamente. Eu conheço meus limites e sabia o que tinha que fazer.

Ao meu lado estavam os jornalistas Yara e Iúri, além da Betina que estreava em sua primeira maratona. Era tudo uma festa!


  

Por volta do quilômetro 5, começaram umas subidas, não muito íngremes, mas que já exigiam esforços. A Betina forçou um pouco e me deixou para trás. Logo a frente apareceu um pelotãozinho de aproximadamente 5 pessoas. Estavam cerca de 200 metros a minha frente. Eu tentei alcançá-los, mas estava difícil.  Ao mesmo tempo em que gostaria de estar ao lado deles eu não queria forçar mais do que podia.

Entre o quilômetro 5 e o km 10 havia uma subida que parecia interminável (mal tinha começado as dificuldades!). Fechei os 10 primeiros quilômetros em 1h02m.

Dada as condições fiquei satisfeita com o resultado. Como uma boa estatística, na hora comecei a fazer cálculos: “Se manter essa média fecho a maratona em até 4:30”... Hahahahaha, doce ilusão! 

Continuei em um ritmo confortável até o momento que apareceram as descidas. Na hora pensei, agora vai! Vou recuperar o tempo perdido, afinal, sabia que as descidas seriam raras.

Forcei de maneira até conseguir alcançar o pelotão. Mesmo assim estava difícil chegar até eles, afinal a descida não é fácil só para mim. Para eles também!!! Fui forçando até conseguir pegá-los e então segui em frente. Deu um tchauzinho para os amigos e falei que os aguardava nas subidas adiante.

Faltando um quilômetro para o special point (ponto de corte (20K) onde tínhamos quer chegar em até 2:30hs de prova), comecei a sentir um pouco de desconforto respiratório. A famosa “dor do lado”. Acho que me atrapalhei na forma de respirar, não sei o que aconteceu. Tentei me concentrar até voltar a me sentir bem novamente.

Nisso minha velocidade caiu bastante e dois atletas me passaram, entre eles o Sérgio Rocha, que também treina com meu técnico Wanderlei de Oliveira. Cheguei no km 20 em 1h57. Larguei minha pochete que estava levando meus géis no posto de hidratação, peguei um gatorade e uma água e segui em frente. Com a adrenalina a mil esqueci de pegar meus géis que havia deixado neste posto e corri sem eles até o final da maratona :(

Depois do km 20 já estava me sentindo bem novamente. Fechei a meia em 2h06. Dali para frente ainda tínhamos trajetos relativamente planos (ou seria menos íngremes?).

Nesta etapa corria sozinha a maior parte do tempo. Às vezes via de longe um survivor, mas nunca conseguia alcançar. Não me preocupei com isso. Aliás, estava bem tranqüila. Nunca corri uma prova onde meu psicológico estivesse tão bem preparado como para essa maratona. Minha cabeça estava perfeita. Em nenhum momento me senti abatida psicologicamente falando.

O tempo estava muito fechado e a temperatura bem amena. A garoa resolveu dar uma trégua depois que passei pelo quilômetro 30. 



Falando em  quilômetro 30... Não dizem que é o ponto crítico da maratona? 

Pois bem! Quando meu garmin mostrou que eu já tinha percorrido 30km comecei a rir! Eu estava me sentindo muitíssimo bem! Fechei os 30km em 3h03m. Estava imensamente feliz por já ter conseguido chegar até ali.

Fiquei emocionada. Na verdade, por diversos momentos sentia vontade de chorar. Chorar de alegria... Me dava um nó garganta quando lembrava de todo carinho, apoio e motivação que recebi de inúmeros amigos que acreditavam que eu era capaz de fechar essa maratona.



Meu técnico Wanderlei foi um dos meus maiores motivadores. Esteve a meu lado nos momentos mais difíceis. Correu praticamente todos os longos lado a lado comigo. Não tem como ser grata por tamanha dedicação!

Em diversos momentos lembrava da minha “creche”, meu triozinho mais lindo do mundo... Lembrava dos momentos maravilhosos que temos juntos... das nossas risadas. Pensava que cada passo dado era uma forma de demonstrar o quanto sou louca por eles!


Por volta do km 33 a coisa foi ficando feia. O ritmo ia caindo mais drasticamente. Olhar a subida dava medo. Cansava só de olhar!!!

Mesmo assim olhava para o céu e agradecia a Deus por aquela oportunidade única! Como disse algum tempo atrás, esse foi meu grande presente de 36 anos!

Minha estratégia então foi olhar para o chão, me concentrar e ter a sensação de que estava correndo em um trajeto plano. Desta forma consegui manter um ritmo mais constante sem parecer que era muito difícil. 


Chegou o momento que correr ficou praticamente impossível. Tentei me concentrar. Pensar que minha meta era correr o tempo todo, mas as pernas não respondiam. Então alternava entre corrida e caminhada forte.

Os 6 km finais foram de arrebentar. Cheguei no último posto de hidratação com muita fome. Parei rapidamente, tomei mais um gatorade e comi metade de uma banana. Neste ponto encontrei a survivor Giselle e a partir dali fomos juntas.
Não havia competição entre nós. Fomos apoio uma da outra. A meta era chegarmos o mais inteiras possível. Aproveitamos para conhecermos um pouco uma da outra até o momento que disse à ela que não podia mais falar..rss!! Precisava poupar toda energia possível para conseguir chegar bem até o final.

Fomos caminhando em ritmo acelerado. Estava fazendo muitoooo frio. Meu lado direito estava congelando. Mal conseguia abrir os dedos.

Mesmo tendo muita dificuldade nos últimos quilômetros, tive a impressão que eles passaram rápido, mesmo que o pace médio apontava para 11'30''/km (nosssaaaa). A sensação de estar aproveitando cada momento era o que mais me importava.

Faltando 600 metros para fecharmos os 42km, finalmente veio um trecho plano! Não conseguíamos ver nada com tanta neblina que havia! O som da chegada é que nos direcionou para o caminho correto.
Nos últimos metros voltamos a correr e comecei a sentir câimbras na panturrilha direita.  Foquei na chegada... Foquei que faltava pouco para finalizar esse desafio que tanto almejei!!!
Cruzamos a linha de chegada de mãos dadas!
Foi um momento único que jamais vou conseguir esquecer. Fechei a Mizuno Uphill Marathon em 4:59. O tempo realmente não era algo que estava me importando muito, não almejava nada de surpreendente, mas confesso que fiquei feliz com esse resultado.



Na chegada passou um filme em minha cabeça. Essa prova só mostrou o quanto podemos ir sempre mais.   Não aguentei e desatei a chorar. Essa maratona ficará para sempre em minha mente.  Aprendi que com perseverança, disciplina, paciência... sempre podemos ir mais longe.. são virtudes que nos levam para frente!

Valeu cada quilômetro, cada treino realizado, cada hora de sono "perdida". Valeu TUDOOOOOO. Faria tudo outra vez!



BONS TREINOS!!!

6 comentários

  1. Affffff que ORGULHO de você!!! Toda minha admiração e respeito pela guerreira que você é.. Emocionei!

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  2. Oi Jacke, que delicia de relato! Parabéns! Você me inspira! Beijos!

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  3. Grande, Jacke!!! Muitíssimo bem preparada, determinada, forte. Parabéns!!! Que a gente dividir outras tantas alegrias como essa. Super beijo!

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  4. Super parabéns Jacke.
    Orgulho da turma. Bacana ver você nas fotos, sempre determinada.
    Isso aí guerreira

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  5. Deus do céu!!! Parabéns, mulher. Que luta nos km finais... Toda hora que digo que não tenho a mínima vontade de fazer uma maratona aparece uma pessoa como você e narra uma beleza dessa para me motivar. Quem sabe um dia... quem sabe uma Uphill! Beijos!

    www.runnerhostil.blogspot.com.br

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  6. Parabéns pela corrida e pelo relato!!Estou me preparando para a primeira maratona e vi o quanto um bom psicológico é importante!!!

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