Minha 3ª Maratona!!!

Chegou a hora de contar a saga da minha terceira maratona. Se tiver paciência e curiosidade, sente que a história é longa! 
A DECISÃO DE CORRER A MARATONA DE PORTO ALEGRE
A decisão de correr a Maratona de POA foi por impulsão. Tinha intenção de correr uma maratona este ano, mas inicialmente queria que tudo fosse bem planejado, ou seja, a maratona deveria acontecer somente no segundo semestre, até porque tem apenas 5 meses que corri a Uphill.
Mas sabe como é... sempre queremos um desafio maior. As meias já não estavam me satisfazendo e lá fui eu me inscrever para a Maratona de Porto Alegre, já que almejava fazer essa corrida desde 2008. Eu acreditei que com a bagagem de treinos que estava trazendo não precisaria me dedicar tanto para essa prova (mero engano!).
No começo de abril fiz a Meia de Santiago, voltei para o Brasil feliz da vida com meu recorde pessoal. A partir daí estava me achando e relaxei nos treinos e na alimentação.
Os treinos semanais estavam indo de mal a pior. Tinha semana que treinava super bem e em outras era um verdadeiro fiasco, muitas vezes pela falta de tempo e outras por pura acomodação. Tentei ao menos realizar todos meus longos nos fins de semana, mas muito deles acabaram ficando de fora.
Meu coach me mandou a planilha inclusive com o tempo que eu deveria correr a maratona. Óbvio que se eu tivesse me dedicado tudo sairia da melhor maneira possível, mas infelizmente não foi o que aconteceu.
Passagens compradas, hotel reservado, amigos para encontrar e a ansiedade de conhecer mais uma nova cidade!

VÉSPERA DA PROVA
Infelizmente só tive condições de viajar na véspera da maratona. Lá fui eu, mega cedo ao aeroporto com intenção de chegar em Porto Alegre às 8:30 do sábado. Claro, como eu sou super sortuda o aeroporto de Porto Alegre estava fechado devido a neblina e então pousamos em Londrina e ficamos por lá até que tudo se normalizasse. 
Cheguei em Porto Alegre quase meio dia, morrendo de fome e sono (tinha dormido mal e apenas quatro horas). Estava super tensa pois tinha que buscar o kit, tinha marcado encontros com os amigos e ainda queria conseguir tempo para descansar.
Enfim... procurei manter a calma. Estava lá para aproveitar e não para me estressar. Um lindo amigo me buscou no aeroporto e fez a grande gentileza de me deixar no hotel. Deixei as coisas por lá e fui ao encontro das queridas amigas que me aguardavam no shopping para o almoço.
Mas deu tudo errado, foi um tumulto. No final das contas só encontrei a triatleta Maria e a linda Ro Barbieri que é de Porto Alegre. Ô menina bonita e simpática. Nos conhecemos há bastante tempo “virtualmente” e neste fim de semana pudemos nos conhecer pessoalmente. Foi demais de “bão”.
Ro, eu e Maria

Eu e Rô
Almoçamos no shopping Barra  e em seguida fomos retirar o kit que ficava ao lado do shopping. Passou tudo muito depressa. Voltei ao hotel e já era quase 6 da tarde. Foi tempo de tomar um banho, ficar de papo com a mulherada no whatapp e sair para jantar.
Fiquei hospedada em um hotel no centro da cidade e jantei com um amigo no “Atelier das Massas” que ficava bem próximo ao hotel. Uma delícia, tanto o ambiente quanto a comida! Andei um pouco pela região e voltei para dormir. Foi um dia bem cansativo, mas com certeza bemmmmmmm proveitoso.

Resumo da ópera: fui dormir quase uma da manhã e tinha que acordar as 4:20!! O ônibus da organização nos pegaria muito cedo para nos deixar na largada. Imagina a situação da pessoa: “só o pó”.



CHEGOU O GRANDE DIA
Cheguei na concentração da prova e estava imensamente tranquila. Encontrei as amigas no ponto de encontro combinado e ficamos papeando até a largada. Algumas foram ao banheiro mas eu estava bem. Não senti necessidade (naquele momento [[:S]])
A “anta paraguaia” estava tão “de boa” com a galera que nem se preocupou em deixar as coisas no guarda volume. Quando me dei conta faltavam 5 minutos para a largada feminina. Moral da história: Perdi a largada [[:(]]
Fui correndo para o pórtico e os homens que esperavam sua vez gritavam: "Vai, vai ... " E lá fui eu, sozinha para a largada. Que mico!!!!
Larguei e pouco a pouco fui alcançando algumas mulheres. Ainda estava escuro, já que a largada se deu as 6:45. O clima estava super agradável. A temperatura estava em torno de 14 e 15 graus e nadinha de sol.
Os 2 primeiros quilômetros serviram de aquecimento (já que a “amadora” não fez isso antes da prova, nem parece que já corre há quase 9 anos!). Comecei a sentir uma leve dor (que já havia sentido no último treino), na parte da frente da perna direita, na junta da perna e quadril. Tirei a dor de foco e continuei correndo.
A partir do 3º quilômetro já tinha ultrapassado várias mulheres e já não sentia a dor. Com o corpo aquecido a velocidade foi aumentando, até o ponto que meu pace ficou estável (pace médio de 5:50 por km).
Fechei os primeiros 10km em 1 hora gravada. Estava me sentindo ótima e ritmada. A planilha pedia um pace de 5:50, mas eu não tinha muita pretensão para a prova. Minha única intensão era concluir a prova abaixo de 4:30.
Quando fechei a meia maratona em 2h08 fiquei confiante! Estava me sentindo bem e com aquele clima e aquele ritmo, com certeza completaria a prova numa boa. Mas foi por volta do quilometro 23 que as coisas começaram a se tornar difícil. Comecei a sentir vontade de ir ao banheiro (aiaiaiaiaiaiai)... Sim !! #2 [[ :O]]
Que desespero.. Continuei correndo e pensei: "Isso é coisa da sua cabeça, continue correndo e foque em outra coisa".
Consegui ir driblando o pensamento e a vontade. No quilômetro 25 encontrei um amigo que estava de bike e a partir dali ele começou a me acompanhar. Eu não conseguia falar, só fazia movimentos dizendo que estava tudo bem.
Por volta do quilometro 26 disse à ele que queria ir ao banheiro. A vontade estava apertando cada vez mais, até que chegou no km 28 e eu disse à ele: "Será impossível terminar os 42km desse jeito". Ele pedalou mais adiante para verificar com a organização se havia algum banheiro no percurso. Não tive dúvida. Olhei para o outro lado da rua e avistei uma rotisseria aberta. Fui até lá  e perguntei se poderia usar o banheiro!
Que situação!!! Hahahahaha.. Primeira vez que isso me acontece nesses quase 9 anos de corredora.. E justo numa maratona!
Enfim. Voltei para a prova “aliviada” kkkkkk
Pensei: "Agora sim. Perdi alguns preciosos minutos, mas agora vou correr tranquila."
Mero engano.. Perto do quilometro 30 veio um mal estar muito grande. Vontade de vomitar. "Que zica é essa, meu Deusssss”!!! Meu amigo insistia que eu vomitasse para passar, mas eu não conseguia!
Estava difícil de trabalhar o psicológico. Trocava as músicas da playlist o tempo para ver se alguma delas me animava, mas estava difícil! Fiquei bem chateada pois estava indo tão bem e tinha tudo para continuar bem.
Se não me bastasse tudo isso a dor que senti no começo da prova apareceu novamente. Ô vida cruel [[:p]]
Eu em vários momentos pensei em desistir e meu amigo me incentivava o tempo todo. Acredito que se ele não tivesse ao meu lado teria largado a prova. Mas quando olhava a força de vontade dele ao meu lado não tinha coragem de abandonar a corrida e os pensamentos positivos reapareciam: “Vamos, pense no seu trio que ficou em São Paulo. Ofereça cada quilômetro à eles e chegue com a medalha orgulhosamente no peito”.
E assim foi. Cada quilômetro que passava era uma vitória. Os pensamentos oscilavam entre animo e desanimo. Tinha momento que tirava uma força não sei de onde... e em outros dava vontade de pegar carona na bike do meu amigo
Em vários momentos lembrei muito da minha amiga Giselli (Divas que corre). Tínhamos almoçado uns dias antes da maratona e falávamos sobre a importância da cabeça durante uma prova de longa distância. Sem dúvida maratona é muito mais cabeça que pernas.
No quilômetro 36 pensei: “Só são mais 6 quilômetros. Isso você faz de olhos fechado”. Parecia que estava indo super rápido pois o esforço era imenso, mas cada vez que olhava para o relógio os quilômetros eram fechados com tempo superior a 6'40''. Aliás, evitei olhar no relógio desde o início da prova. Só observava o fechamento de cada quilômetro para ter ideia de como estava. Na largada tinha decidido que quem ditaria a prova era o meu corpo e não o relógio.
No quilômetro 39 deu uma vontade imensa de chorar. Tentei puxar pensamentos que me dessem forças... Pensei: “é apenas uma volta no parque! Vamos, vamos, vamos... Daqui a pouco estará com a tão esperada medalha nas mãos.” Não adiantou, o psicológico não me convenceu e comecei a caminhar. Meu amigo ficou abismado insistindo que eu não desistisse: “Vamos Jacke, você não é uma atleta?”. “Sou!! Atleta Tabajara”, respondi a ele.
Voltei a trotar. No quilômetro 40 decidi que não caminharia mais. Tentei encontrar forças e fazer o melhor que podia. O pace não aumentava de jeito nenhum. A única coisa que passava em minha cabeça era: “Amo tanto correr, mas preciso de tanto sofrimento? Porque não descansei para a prova, porque não treinei o suficiente, estou pagando o preço!!!
Km 41. Pronto... nó na garganta! Vontade imensa de chorar. Meu amigo pedalou e foi até a chegada para tirar uma foto (fora todas que ele tinha tirado durante o percurso).
Tive duas opções: chorar ou respirar. Optei por respirar [[:p]]
Fim!!! Fechei os 42k e125m em 4h27. Encontrei meu amigo e agradeci imensamente por todo seu apoio. Milhões de coisas passavam pela minha cabeça naquele momento.

O corpo começou a esfriar e as pernas começaram a travar. Tomei um advil e logo estava super bem. A única coisa que eu queria era voltar para o hotel e tomar um delicioso e merecido banho quente!

Voltei para São Paulo no mesmo dia e com uma coisa na cabeça: "Não quero saber de Maratona tão cedo"! Ok. Passado dois dias esse pensamento já está indo embora, rs. 

Creio que por um tempo ficarei nos 10k e Meias Maratonas. Minha distância preferida com certeza são os 21km. Maratona é uma prova sofrida. Exige muitos treinos e consequentemente exige tempo de descanso. Para minha vida atual isso é complicado. Ou eu treino ou eu descanso [[:p]]. Se não fazemos as duas coisas nos arrebentamos. Maratona é uma prova gratificante, pois ela ensina muita coisa, mas machuca se não seguir o planejamento a risca.

Apesar de todo contratempo voltei para casa muito feliz e orgulhosa de correr uma maratona pela terceira vez.

DETALHES DA PROVA
  • Percurso praticamente todo plano.
  • Clima ameno, em torno de 14 e 15 graus.
  • Organização impecável. Hidratação perfeita. Havia postos de água a cada 3 quilômetros, além de vários postos de gatorade.
  • Entrega da medalha e do kit aconteceu de maneira organizada e sem demora.
BONS TREINOS!!!

2 comentários

  1. Emocionante o teu relato, amiga, emocionante, verdadeiramente. Parabéns pelo desempenho na prova, apesar das intempéries, guria. Foste muito bem. Beijo e bons treinos.

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  2. Jacke minha amiga guerreira e maratonista, quanto orgulho de vc!
    Amei te conhecer pessoalmente e espero te encontrar em breve, o convite para julho está de pé, venhaaaa!!!
    Parabéns pela maratona!!!
    Grande beijo

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